?? procura do jardim ideal

Qual o paisagista que não sonhou, em algum momento, criar uma paisagem sem defeitos?


Campo de trigo, Valle de Amblés, Ávila, Espanha (Crédito a Ximénex)
 

 

Um cantinho ou um amplo espaço de terra que encerre a perfeição daquilo que a natureza nos oferece, completando a necessidade de sentir-nos felizes? Mas como fazer isto, como imaginar o jardim perfeito se ainda não sabemos, exatamente, como engendrar contentamentos simples que alimentem nosso bem-estar? Tornamos-nos especialistas na procura de informações, de conhecimentos e de qualquer referência que alimente nossos currículos e enfeite a parede de diplomas e certificados. Mas o que sabemos sobre nós mesmos? Sobre nossas vontades genuínas? Como podemos sonhar com um jardim esplêndido se não vislumbramos nosso próprio esplendor, aquele brilho puro que carregávamos quando partimos do útero para aventurarmos na vida?


Estado-fonte nos jardins do Monte Palace (Créditos a Allie_Caulfield)


Fomos moldados para participar da civilização, respeitar seus códigos e suas regras. Desistimos da barbárie e inventamos a cortesia de um mundo urbano e instruído, perdendo pelo caminho o jeito simples que possuíamos de contemplar uma espiga de trigo prenha de grãos. Somos melhores? Creio que sim, evoluímos muito, começamos já há algum tempo entender os deveres que temos com a sociedade.

Mas que pouco tempo restou para sentir emoções. Estas hoje são manufaturadas e vendidas no atacado: filmes, concertos de rock, livros de auto-ajuda, telenovelas, novos e reveladores dogmas religiosos e toda uma sorte de bugigangas que prometem comover e estimular sentimentos endurecidos pela falta de tempo.


Esse cotidiano nos estimula a buscar soluções prontas, até no momento em que temos que nos decidir pela melhor opção para esse pedaço de terreno rodeando nossa casa, apelamos ao simplismo que despreza qualquer contato com aquilo que motiva nossos prazeres autênticos. Copiamos qualquer coisa que vemos por aí, justificando tendências ou modismos, sem dar-nos conta que nossa alma esta alheia aos caprichos coletivos, esquecemos que, ela mesma, evolui em cima de suas vivências e sensações, responsabilizando-se por assumir sua parte imortal, com independência e com a necessidade de ser ela própria... única e verdadeira, como um jardim incomparável e sincero.

 Autor: Raul Cânovas

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