O tempo das árvores

  • 28 de setembro de 2011
  • Categoria: Crônica

O passado, o presente e o futuro não significam nada para elas. Essa noção de tempo apenas exprime nossa forma de definir a duração limitada das coisas


Não sei se vocês já tiveram essa sensação de estar sempre em uma espécie de corrida contra o relógio. Nas sociedades contemporâneas o tempo é hiper valorizado: agendas eletrônicas, iPod touch, smartphones, videoconferências, internet, correios eletrônicos, hipermídia, chat e redes sociais, como Facebook, MySpace, Orkut e Twitter, mudaram o conceito que existia do antes e do depois, obrigando mulheres e homens a repensar a filosofia do tempo. Parece que a tecnologia nos abre possibilidades antes impensadas, transportando-nos de Lisboa ao Rio de Janeiro em pouco mais de nove horas, enquanto que Cabral levou, com sua frota de navios, quarenta e cinco dias para fazer o mesmo. Isto nos faz pensar que o explorador português, na época com 33 anos, deveria fazer suas refeições com bastante calma e como bom fidalgo de linhagem, principal título de nobreza português, com exceção dos da Família Real, teria tido muito tempo para ler e programar suas viagens, coisa difícil atualmente num voo.

As árvores, ignorantes de qualquer tecnologia, se parecem um pouco com esses homens do século XVI, assim como Michelangelo, Nostradamus ou José de Anchieta. Levam uma vida mais reflexiva, onde os momentos são vividos em compassos cadenciosos, como aquele cipreste-mexicano que tem um tronco de 58 metros de circunferência, ou a árvore apelidada de Hyperion, no norte da Califórnia, com pouco mais de 115 metros de altura, que não conhecem as palavras anterior ou posterior, apenas vivem o presente sentindo a seiva circular pelo cerne. Imagino o jequitibá do Parque Estadual do Vassununga, em Santa Rita do Passa Quatro, no Estado de São Paulo, com 3.000 anos de uma vida mansa, construindo essa mole gigantesca que precisa de mais de doze pessoas para abraçá-la. Quanta calma inspira e ao mesmo tempo (desculpem pelo trocadilho) quanta força!

Tenho notado que essas espécies de crescimento mais lento formam um tronco forte, com madeiras duras e até, algumas vezes, imunes a pragas e doenças, como é o caso do angelim-vermelho. Por outro lado o guapuruvú é rápido, entretanto sua madeira leve não tem utilidade. Isto mostra que a velocidade, nem sempre corre junto à mestria e perfeição.


Cipreste-mexicano

Não sei se a Teoria Geral da Relatividade, de Albert Einstein, explica isto. Quem sabe!?

Autor: Raul Cânovas
 

Posts Relacionados

Comentários
Voltar para a página inicial